João Nuno Azambuja
"Era uma vez um homem", prémio literário, à venda.

João Nuno Azambuja nasceu em Braga. Licenciou-se em História e Ciências Sociais antes de se lançar à aventura nas tropas paraquedistas, onde militou como comandante de pelotão. Regressado à terra teve um bar de inspiração celta, onde organizou concertos memoráveis desse tipo fascinante de música. Claro que o céu continua a chamá-lo, mas desta vez não quer ir de avião, quer ascender na leveza das letras ao lugar onde moram os imortais.

Era uma vez um homem foi o seu primeiro livro.

«O início performativo deste livro surpreende-nos pela extrema acutilância com que João Nuno Azambuja nos faz entrar no universo convulso e violente de um eu que, ao longo de uma semana, irárevelar, pôr em papel, toda a dor e desencanto, toda a ironia e vontade de viver que a própria existência arrasta consigo. A interseção de planos vários (interioridade, exterioridade, passado, presente e sonho projetado para um porvir equívoco, que se sabe irrealizável), o léxico brutal em diversos momentos, assim como a capacidade de escrever estados de consciência que ocorrem como fluxos ininterruptos de sentimentos díspares, desejo e suicídio, repulsa e compaixão, amor e desencanto, tudo parece ser convocado para páginas onde encontramos uma prosa perfeitamente em consonância com a nossa época. O monodiálogo, a capacidade para o registo polifónico, a agudeza com que se desmontam problemas vários do nosso quotidiano (economia, política, religião, cultura, filosofia...), tudo se mostra num discurso visceral, excessivo no tom de furiosa sinceridade com que João Nuno Azambuja ataca um dia-a-dia que só pode ser dito dessa forma, numa torrencialidade verbal que é das mais originais que temos lido.»

                     António Carlos Cortez


«...e daqui a uma hora, quando eu já não passar de um cadáver, o mais certo é ela dizer, Foi melhor ele ter morrido, em vez de ficar a sofrer numa cama, a vegetar, coitado de quem tivesse de ficar a tomar conta dele. A vegetar ando eu desde que nasci, eu e todos, e já que assim é mais valia ninguém nascer, porque se é para padecer e para dar que fazer aos outros não é preciso andar uma mulher prenha durante nove meses e depois parir um desgraçado, um empecilho, um trambolho. A língua castelhana usa um termo que é o mais correto de todas as línguas para classificar uma mulher grávida, eles dizem que está embaraçada, e é isso mesmo, embaraçada, anda ela embaraçada e vai embaraçar o mundo com mais um infeliz, com mais um estorvo.» 



Próximo evento:

Participação no festival literário de Macau, o Script Road, que terá lugar naquela cidade entre os dias 4 e 19 de março de 2017.

https://thescriptroad.org/pt-pt/2017autores/


«Escrevendo ou lendo nos unimos para além do tempo

e do espaço, e os limitados braços põem-se

a abraçar o mundo; a riqueza de outros

enriquece-nos a nós.

Leia.»


          Agostinho da Silva